Sobre o tema
A rainha Nzinga, governante dos reinos do Ndongo e Matamba no século XVII, é uma figura central na história da resistência africana à colonização portuguesa. Chegando ao poder em 1624, ela combinou habilidades militares, diplomacia e manipulação religiosa para consolidar seu domínio e desafiar a expansão portuguesa em Angola. Nzinga formou alianças com reinos vizinhos, como o Congo, e explorou as rivalidades entre potências europeias, especialmente Portugal e Holanda, para fortalecer sua posição. Sua interferência nas redes de tráfico de escravizados foi uma estratégia política crucial. Apesar de sua importância histórica, Nzinga foi frequentemente desacreditada por cronistas europeus, refletindo o viés patriarcal e colonial da época.
Tópicos relacionados
- Rainha Nzinga e a resistência angolana
- Diplomacia africana no século XVII
- Tráfico atlântico de escravizados
- Colonização portuguesa em Angola
- Liderança feminina na África pré-colonial
Enunciado
A rainha Nzinga (1624-1663), governante seiscentista do
Ndongo, um reino da África Central situado na atual
Angola, chegou ao poder graças à sua competência militar,
à diplomacia bem sucedida, à manipulação da religião e de
conflitos entre potências europeias. Ela criou as condições
para a primeira sublevação popular mbundu contra a
exploração portuguesa ao atrair para sua causa os chefes
que estavam sob influência europeia. Depois conquistou o
reino vizinho de Matamba e o governou por três décadas
junto com o que restou do poderoso reino Ndongo;
desafiou treze governadores portugueses que regeram
Angola entre 1622 e 1633. Apesar de seus feitos e o longo
reinado, comparável ao de Elizabeth I (1503—1603) da
Inglaterra, ela foi desacreditada pelos contemporâneos
europeus e por autores posteriores.
(Adaptado de Linda Heywood, Nzinga de Angola: a rainha guerreira de
África. Lisboa: Casa das Letras, 2017. p. 10-12; 82.)
Com base no excerto e em seus conhecimentos, é correto
afirmar que a rainha Nzinga:
Alternativas
- A)
Utilizou, como estratégias políticas para conter o
avanço português em seus territórios, a formação de
alianças com reinos vizinhos (como Congo), a
exploração dos conflitos entre Portugal e Holanda e a
interferência nas redes do tráfico. - B)
Expulsou os portugueses de Angola e reconstruiu o
reino do Ndongo em sua extensão original através da
política de distribuição de terras aos sobas que
aceitaram a sua legitimidade no trono. - C)
Aboliu o tráfico atlântico de escravizados, apesar da
oposição de missionários e comerciantes portugueses
que viviam em Luanda, e perseguiu os sobas
envolvidos com o comércio. - D)
Enfrentou um mundo onde o imaginário monárquico e
o ideário político eram hegemonicamente masculinos
e, assim como a Rainha Elizabeth I, não teve sucesso
político e militar.
Avaliar: +1 XP. Favoritar: salva pra revisar. Comentar: +5 XP + 1 credito IA.
Comentarios (0)
Carregando comentarios...
Perguntas frequentes
Quem foi a rainha Nzinga?
Nzinga foi uma governante dos reinos do Ndongo e Matamba (atual Angola) no século XVII, conhecida por sua resistência à colonização portuguesa e por suas habilidades diplomáticas e militares.
Como Nzinga conseguiu manter seu poder frente aos portugueses?
Ela utilizou alianças com reinos vizinhos e com os holandeses, explorou conflitos entre potências europeias e interferiu nas rotas do tráfico de escravizados para enfraquecer os portugueses.
Por que a rainha Nzinga foi desacreditada pela história europeia?
Devido ao preconceito de gênero e à visão colonialista, cronistas europeus minimizaram seus feitos, retratando-a como cruel ou ilegítima, apesar de seu reinado bem-sucedido.
Questões relacionadas
- É uma tarefa difícil realizar um diagnóstico do tempo presente. Definir o presente como “época”? Os marc...
- Sobre a revolução cultural ocorrida na China, a partir de 1966, é correto afirmar que se tratou de...
- A história do século XIX foi marcada pela tensão entre tradições políticas e intelectuais que apelava, ora para a força ...
- A operação era um pouco dolorosa e não durava mais que um minuto, mas era traumática. Seu significado simbólico estava c...