Ano 2022#history

Sobre o tema

A rainha Nzinga, governante dos reinos do Ndongo e Matamba no século XVII, é uma figura central na história da resistência africana à colonização portuguesa. Chegando ao poder em 1624, ela combinou habilidades militares, diplomacia e manipulação religiosa para consolidar seu domínio e desafiar a expansão portuguesa em Angola. Nzinga formou alianças com reinos vizinhos, como o Congo, e explorou as rivalidades entre potências europeias, especialmente Portugal e Holanda, para fortalecer sua posição. Sua interferência nas redes de tráfico de escravizados foi uma estratégia política crucial. Apesar de sua importância histórica, Nzinga foi frequentemente desacreditada por cronistas europeus, refletindo o viés patriarcal e colonial da época.

Tópicos relacionados

  • Rainha Nzinga e a resistência angolana
  • Diplomacia africana no século XVII
  • Tráfico atlântico de escravizados
  • Colonização portuguesa em Angola
  • Liderança feminina na África pré-colonial

Enunciado

A rainha Nzinga (1624-1663), governante seiscentista do
Ndongo, um reino da África Central situado na atual
Angola, chegou ao poder graças à sua competência militar,
à diplomacia bem sucedida, à manipulação da religião e de
conflitos entre potências europeias. Ela criou as condições
para a primeira sublevação popular mbundu contra a
exploração portuguesa ao atrair para sua causa os chefes
que estavam sob influência europeia. Depois conquistou o
reino vizinho de Matamba e o governou por três décadas
junto com o que restou do poderoso reino Ndongo;
desafiou treze governadores portugueses que regeram
Angola entre 1622 e 1633. Apesar de seus feitos e o longo
reinado, comparável ao de Elizabeth I (1503—1603) da
Inglaterra, ela foi desacreditada pelos contemporâneos
europeus e por autores posteriores.
(Adaptado de Linda Heywood, Nzinga de Angola: a rainha guerreira de
África. Lisboa: Casa das Letras, 2017. p. 10-12; 82.)

Com base no excerto e em seus conhecimentos, é correto
afirmar que a rainha Nzinga:

Alternativas

  • A)

    Utilizou, como estratégias políticas para conter o
    avanço português em seus territórios, a formação de
    alianças com reinos vizinhos (como Congo), a
    exploração dos conflitos entre Portugal e Holanda e a
    interferência nas redes do tráfico.

  • B)

    Expulsou os portugueses de Angola e reconstruiu o
    reino do Ndongo em sua extensão original através da
    política de distribuição de terras aos sobas que
    aceitaram a sua legitimidade no trono.

  • C)

    Aboliu o tráfico atlântico de escravizados, apesar da
    oposição de missionários e comerciantes portugueses
    que viviam em Luanda, e perseguiu os sobas
    envolvidos com o comércio.

  • D)

    Enfrentou um mundo onde o imaginário monárquico e
    o ideário político eram hegemonicamente masculinos
    e, assim como a Rainha Elizabeth I, não teve sucesso
    político e militar.

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Perguntas frequentes

Quem foi a rainha Nzinga?

Nzinga foi uma governante dos reinos do Ndongo e Matamba (atual Angola) no século XVII, conhecida por sua resistência à colonização portuguesa e por suas habilidades diplomáticas e militares.

Como Nzinga conseguiu manter seu poder frente aos portugueses?

Ela utilizou alianças com reinos vizinhos e com os holandeses, explorou conflitos entre potências europeias e interferiu nas rotas do tráfico de escravizados para enfraquecer os portugueses.

Por que a rainha Nzinga foi desacreditada pela história europeia?

Devido ao preconceito de gênero e à visão colonialista, cronistas europeus minimizaram seus feitos, retratando-a como cruel ou ilegítima, apesar de seu reinado bem-sucedido.

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