Ano 2023#portuguese#history

Sobre o tema

A visão dos povos originários no Brasil colonial e imperial oscilou entre a idealização e a subestimação. Na Carta de Pero Vaz de Caminha (1500), os indígenas são descritos como ingênuos e de 'boa simplicidade', prontos para receber a fé cristã. Já José Bonifácio, em texto de 1823, defende que a razão e a civilização podem ser incutidas nos índios, comparando-os a uma tábula rasa. Ambas as perspectivas, apesar de contextos distintos, compartilham a noção de que os nativos são maleáveis e carecem de desenvolvimento próprio, o que justificava a ação colonizadora e civilizatória. Essa abordagem etnocêntrica influenciou políticas indigenistas e a formação da identidade nacional brasileira.

Tópicos relacionados

  • Carta de Pero Vaz de Caminha e a visão dos indígenas
  • José Bonifácio e o projeto de nação brasileira
  • Etnocentrismo e tábula rasa na história do Brasil
  • Políticas indigenistas no Brasil colônia e império
  • Indígenas como 'página em branco' no pensamento luso-brasileiro

Enunciado

Texto 1
“Parece-me gente de tal inocência que, se nós os entendês-
semos e eles a nós, seriam logo cristãos porque eles não têm
nem conhecem nenhuma crença. E, portanto, se os degre-
dados que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e os
entenderem, não duvido que eles, segundo a santa intenção
de Vossa Alteza, se tornem cristãos e passem a crer em
nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga.
Porque certamente esta gente é boa e de boa simplicidade,
e imprimir-se-á ligeiramente neles qualquer cunho que lhes
quiserem dar. E, pois, Nosso Senhor, que lhes deu bons cor-
pos e bons rostos, como a bons homens, se aqui nos trouxe,
creio que não foi sem um motivo.”
(CAMINHA, Pero Vaz de. Carta de Achamento do Brasil. Campinas: Editora da UNICAMP,
2001, p. 108.)
Texto 2
“As molas do homem primitivo podem ser postas em ação
pelo exemplo, educação e benefícios (...). Newton, se hou-
vesse nascido entre os guaranis, seria mais um bípede, que
pisara sobre a superfície da Terra; mas um guarani criado por
Newton talvez ocupasse o seu lugar. Quem ler o diálogo que
traz Léry na sua viagem ao Brasil entre um francês e um ve-
lho carijó conhecerá que não falta aos índios bravos o lume
natural da razão.”
(ANDRADA E SILVA, José Bonifácio de. Projetos para o Brasil. São Paulo: Companhia das
Letras, 2000, p. 50.)
A partir dos dois textos, escritos em momentos emblemáticos
da história do Brasil (o “achamento” em 1500 e o debate de
ideias para a criação de uma constituição em 1823), seria corre-
to afirmar que os povos originários são

Alternativas

  • A)

    definidos como díspares entre si, pois Caminha os vê como
    ingênuos, crédulos, enquanto Bonifácio alerta para o perigo
    dos indígenas bravos.

  • B)

    considerados uma página em branco e maleáveis, tanto no
    texto do cronista quinhentista quanto naquele do publicista
    oitocentista.

  • C)

    apontados como benignos, com a intenção de preservar os
    indígenas distantes da degradação dos costumes europeus.

  • D)

    tributários de uma imutabilidade cultural, tanto na crônica
    de Caminha quanto no discurso de José Bonifácio.

0.0 (0 avaliacoes)

Avaliar: +1 XP. Favoritar: salva pra revisar. Comentar: +5 XP + 1 credito IA.

Comentarios (0)

Login obrigatorio

Carregando comentarios...

Perguntar pra IA

Perguntas frequentes

O que é a tábula rasa na filosofia e como se aplica à visão dos indígenas no Brasil?

Tábula rasa é a ideia de que a mente humana nasce sem conhecimento inato, sendo moldada pela experiência. Na história do Brasil, colonizadores e pensadores como Caminha e Bonifácio viam os indígenas como uma tábula rasa, ignorando suas culturas complexas e defendendo que poderiam ser moldados pela civilização europeia.

Qual a importância da Carta de Pero Vaz de Caminha para a história do Brasil?

A Carta de Caminha é o primeiro documento sobre o Brasil, escrito em 1500, descrevendo a terra e seus habitantes. Ela estabeleceu impressões iniciais sobre os indígenas que influenciaram a colonização, retratando-os como ingênuos e propensos à conversão religiosa.

Qual era a posição de José Bonifácio em relação aos indígenas?

José Bonifácio, em seus projetos para o Brasil em 1823, defendia a integração dos indígenas à sociedade nacional por meio da educação e do exemplo. Acreditava que eles possuíam razão natural, mas precisavam ser civilizados, o que reflete a visão ilustrada da época.

Questões relacionadas