Ano 2024#portuguese

Sobre o tema

Casa Velha, de Machado de Assis, é uma novela narrada por um cônego que revisita seu passado e expõe a complexidade das relações sociais no Brasil imperial. A obra, publicada postumamente, destaca-se pela construção de um narrador-personagem que, embora eclesiástico e supostamente confiável, revela-se ingênuo e incapaz de interpretar corretamente os eventos ao seu redor. Machado, mestre da ironia e da psicologia, utiliza esse narrador para criticar a hipocrisia e as aparências enganosas, temas recorrentes em sua obra. O trecho inicial, em que o cônego afirma ter sofrido um acontecimento desagradável em 1839, prepara o leitor para a descoberta de sua própria credulidade, que o leva a ser manipulado por outros personagens. A análise da obra permite compreender como Machado de Assis desconstrói a figura do narrador objetivo, valorizando a subjetividade e a falibilidade humana.

Tópicos relacionados

  • Narrador não confiável em Machado de Assis
  • Análise de Casa Velha
  • Ironia machadiana
  • Ingenuidade e manipulação social

Enunciado

No início da novela Casa Velha, de Machado de Assis, o cônego
da Capela Imperial, um personagem da história, assumindo a
voz narrativa dela, conta a seus interlocutores:
“– Não desejo ao meu maior inimigo o que me aconteceu no
mês de abril de 1839.”
(MACHADO DE ASSIS. Casa Velha. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986, p. 11.)
De acordo com o texto, o acontecimento desagradável que vitimou o religioso faz com que ele possa ser considerado, ao final
da narrativa, como

Alternativas

  • A)

    um boêmio que se sente entediado na presença dos convivas da Casa Velha: “Disseram-me que era amiga da família,
    e se chamava Mafalda. (...) Creio que disseram ainda outras
    coisas; mas não me interessando nada, nem a conversação,
    nem a hóspeda, (...) deixei-me estar comigo” (p. 29-30).

  • B)

    um antiescravista, obrigado a conviver, na mesma casa grande, com senhores, agregados e escravos: “Lalau (...) com as
    mãos no ombro do moleque, ora fitava os olhos na carapinha deste, ouvindo somente as palavras de Félix; ora erguia-os para o moço (...)” (p. 67).

  • C)

    um republicano que suporta um velho Coronel de posições
    conservadoras: “Reverendíssimo, (...) os farrapos invadiram
    Santa Catarina, entraram na Laguna, e os legais fugiram.
    Eu, se fosse o governo, mandava fuzilar a todos estes para
    escarmento...” (p. 89).

  • D)

    um ingênuo que se deixa iludir em suas relações pessoais:
    “nem por sombras me acudiu que a revelação de Dona Antônia podia não ser verdadeira (...) Não adverti sequer na
    minha cumplicidade. Em verdade, eu é que proferira as palavras que ela trazia na mente (...)” (p. 89).

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Perguntas frequentes

O que caracteriza o narrador de Casa Velha?

O narrador é um cônego que, ao contar sua história, revela-se ingênuo e pouco perspicaz, tornando-se um exemplo de narrador não confiável, pois suas interpretações dos fatos são questionáveis.

Como Machado de Assis utiliza a ironia em Casa Velha?

Machado emprega a ironia principalmente pela discrepância entre a percepção do narrador e a realidade dos eventos, expondo a hipocrisia e a ingenuidade do protagonista de forma sutil.

Qual a importância do ano de 1839 mencionado no início da novela?

O ano marca um evento desagradável para o narrador, que serve como gatilho para a narrativa, mas também situa a história no contexto do Brasil Império, permitindo críticas sociais e políticas.

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