Questões do FUVEST
Vestibular da USP.
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- 2018· Questão 78· portuguese
TEXTOS PARA AS QUESTÕES 78 E 79 (...) procurei adivinhar o que se passa na alma duma cachorra. Será que há mesmo alma em cachorro? Não me importo. O meu bicho morre desejando acordar num mundo cheio de preás. Exatamente o que todos nós desejamos. A diferença é que eu quero que eles apareçam antes do sono, e padre Zé Leite pretende que eles nos venham em sonhos, mas no fundo todos somos como a minha cachorra Baleia e esperamos preás. (...) Carta de Graciliano Ramos a sua esposa. (...) Uma angústia apertou-lhe o pequeno coração. Precisava vigiar as cabras: àquela hora cheiros de suçuarana deviam andar pelas ribanceiras, rondar as moitas afastadas. Felizmente os meninos dormiam na esteira, por baixo do caritó onde sinha Vitória guardava o cachimbo. (...) Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes. Graciliano Ramos, Vidas secas As declarações de Graciliano Ramos na Carta e o excerto do romance permitem afirmar que a personagem Baleia, em Vidas secas, representa
- 2018· Questão 79· portuguese
TEXTOS PARA AS QUESTÕES 78 E 79 (...) procurei adivinhar o que se passa na alma duma cachorra. Será que há mesmo alma em cachorro? Não me importo. O meu bicho morre desejando acordar num mundo cheio de preás. Exatamente o que todos nós desejamos. A diferença é que eu quero que eles apareçam antes do sono, e padre Zé Leite pretende que eles nos venham em sonhos, mas no fundo todos somos como a minha cachorra Baleia e esperamos preás. (...) Carta de Graciliano Ramos a sua esposa. (...) Uma angústia apertou-lhe o pequeno coração. Precisava vigiar as cabras: àquela hora cheiros de suçuarana deviam andar pelas ribanceiras, rondar as moitas afastadas. Felizmente os meninos dormiam na esteira, por baixo do caritó onde sinha Vitória guardava o cachimbo. (...) Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes. Graciliano Ramos, Vidas secas A comparação entre os fragmentos, respectivamente, da Carta e de Vidas secas, permite afirmar que
- 2018· Questão 80· portuguese
TEXTO PARA AS QUESTÕES DE 80 A 82 Sarapalha – Ô calorão, Primo!... E que dor de cabeça excomungada! – É um instantinho e passa... É só ter paciência.... – É... passa... passa... passa... Passam umas mulheres vestidas de cor de água, sem olhos na cara, para não terem de olhar a gente... Só ela é que não passa, Primo Argemiro!... E eu já estou cansado de procurar, no meio das outras... Não vem!... Foi, rio abaixo, com o outro... Foram p'r'os infernos!... – Não foi, Primo Ribeiro. Não foram pelo rio... Foi trem-de ferro que levou... – Não foi no rio, eu sei... No rio ninguém não anda... Só a maleita é quem sobe e desce, olhando seus mosquitinhos e pondo neles a benção... Mas, na estória... Como é mesmo a estória, Primo? Como é?... – O senhor bem que sabe, Primo... Tem paciência, que não é bom variar... – Mas, a estória, Primo!... Como é?... Conta outra vez... – O senhor já sabe as palavras todas de cabeça... "Foi o moço-bonito que apareceu, vestido com roupa de dia-de domingo e com a viola enfeitada de fitas... E chamou a moça p'ra ir se fugir com ele"... – Espera, Primo, elas estão passando... Vão umas atrás das outras... Cada qual mais bonita... Mas eu não quero, nenhuma!... Quero só ela... Luísa... – Prima Luísa... – Espera um pouco, deixa ver se eu vejo... Me ajuda, Primo! Me ajuda a ver... – Não é nada, Primo Ribeiro... Deixa disso! – Não é mesmo não... – Pois então?! – Conta o resto da estória!... – ..."Então, a moça, que não sabia que o moço-bonito era o capeta, ajuntou suas roupinhas melhores numa trouxa, e foi com ele na canoa, descendo o rio..." Guimarães Rosa, Sagarana A novela Sarapalha apresenta uma estória dentro de outra, por meio da qual a personagem masculina da narrativa principal (Primo Argemiro) alude a uma mulher da narrativa secundária (a moça levada pelo capeta). O mesmo procedimento ocorre em
- 2018· Questão 81· portuguese
TEXTO PARA AS QUESTÕES DE 80 A 82 Sarapalha – Ô calorão, Primo!... E que dor de cabeça excomungada! – É um instantinho e passa... É só ter paciência.... – É... passa... passa... passa... Passam umas mulheres vestidas de cor de água, sem olhos na cara, para não terem de olhar a gente... Só ela é que não passa, Primo Argemiro!... E eu já estou cansado de procurar, no meio das outras... Não vem!... Foi, rio abaixo, com o outro... Foram p'r'os infernos!... – Não foi, Primo Ribeiro. Não foram pelo rio... Foi trem-de ferro que levou... – Não foi no rio, eu sei... No rio ninguém não anda... Só a maleita é quem sobe e desce, olhando seus mosquitinhos e pondo neles a benção... Mas, na estória... Como é mesmo a estória, Primo? Como é?... – O senhor bem que sabe, Primo... Tem paciência, que não é bom variar... – Mas, a estória, Primo!... Como é?... Conta outra vez... – O senhor já sabe as palavras todas de cabeça... "Foi o moço-bonito que apareceu, vestido com roupa de dia-de domingo e com a viola enfeitada de fitas... E chamou a moça p'ra ir se fugir com ele"... – Espera, Primo, elas estão passando... Vão umas atrás das outras... Cada qual mais bonita... Mas eu não quero, nenhuma!... Quero só ela... Luísa... – Prima Luísa... – Espera um pouco, deixa ver se eu vejo... Me ajuda, Primo! Me ajuda a ver... – Não é nada, Primo Ribeiro... Deixa disso! – Não é mesmo não... – Pois então?! – Conta o resto da estória!... – ..."Então, a moça, que não sabia que o moço-bonito era o capeta, ajuntou suas roupinhas melhores numa trouxa, e foi com ele na canoa, descendo o rio..." Guimarães Rosa, Sagarana No texto de Sarapalha, constitui exemplo de personificação o seguinte trecho:
- 2018· Questão 82· portuguese, biology
TEXTO PARA AS QUESTÕES DE 80 A 82 Sarapalha – Ô calorão, Primo!... E que dor de cabeça excomungada! – É um instantinho e passa... É só ter paciência.... – É... passa... passa... passa... Passam umas mulheres vestidas de cor de água, sem olhos na cara, para não terem de olhar a gente... Só ela é que não passa, Primo Argemiro!... E eu já estou cansado de procurar, no meio das outras... Não vem!... Foi, rio abaixo, com o outro... Foram p'r'os infernos!... – Não foi, Primo Ribeiro. Não foram pelo rio... Foi trem-de ferro que levou... – Não foi no rio, eu sei... No rio ninguém não anda... Só a maleita é quem sobe e desce, olhando seus mosquitinhos e pondo neles a benção... Mas, na estória... Como é mesmo a estória, Primo? Como é?... – O senhor bem que sabe, Primo... Tem paciência, que não é bom variar... – Mas, a estória, Primo!... Como é?... Conta outra vez... – O senhor já sabe as palavras todas de cabeça... "Foi o moço-bonito que apareceu, vestido com roupa de dia-de domingo e com a viola enfeitada de fitas... E chamou a moça p'ra ir se fugir com ele"... – Espera, Primo, elas estão passando... Vão umas atrás das outras... Cada qual mais bonita... Mas eu não quero, nenhuma!... Quero só ela... Luísa... – Prima Luísa... – Espera um pouco, deixa ver se eu vejo... Me ajuda, Primo! Me ajuda a ver... – Não é nada, Primo Ribeiro... Deixa disso! – Não é mesmo não... – Pois então?! – Conta o resto da estória!... – ..."Então, a moça, que não sabia que o moço-bonito era o capeta, ajuntou suas roupinhas melhores numa trouxa, e foi com ele na canoa, descendo o rio..." Guimarães Rosa, Sagarana Tendo como base o trecho "só a maleita é quem sobe e desce, olhando seus mosquitinhos e pondo neles a benção...", o termo em destaque foi empregado ironicamente por aludir ao inseto
- 2018· Questão 83· portuguese
TEXTO PARA AS QUESTÕES 83 E 84 Os bens e o sangue VIII (...) Ó filho pobre, e descorçoado*, e finito ó inapto para as cavalhadas e os trabalhos brutais com a faca, o formão, o couro... Ó tal como quiséramos para tristeza nossa e consumação das eras, para o fim de tudo que foi grande! Ó desejado, ó poeta de uma poesia que se furta e se expande à maneira de um lago de pez** e resíduos letais... És nosso fim natural e somos teu adubo, tua explicação e tua mais singela virtude... Pois carecia que um de nós nos recusasse para melhor servir-nos. Face a face te contemplamos, e é teu esse primeiro e úmido beijo em nossa boca de barro e de sarro. Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma. * "descorçoado": assim como "desacorçoado", é uma variante de uso popular da palavra "desacoroçoado", que significa "desanimado". ** "pez": piche Considere as seguintes afirmações: I. Os familiares, que falam no poema, ironizam a condição frágil do poeta. II. O passado é uma maldição da qual o poeta, como revela o título do poema, não consegue se desvencilhar. III. O trecho "o fim de tudo que foi grande" remete à ruína das oligarquias, das quais Drummond é tributário. IV. A imagem de uma "poesia que se furta e se expande/à maneira de um lago de pez e resíduos letais..." sintetiza o pessimismo dos poemas de Claro enigma. Estão corretas:
- 2018· Questão 84· portuguese
TEXTO PARA AS QUESTÕES 83 E 84 Os bens e o sangue VIII (...) Ó filho pobre, e descorçoado*, e finito ó inapto para as cavalhadas e os trabalhos brutais com a faca, o formão, o couro... Ó tal como quiséramos para tristeza nossa e consumação das eras, para o fim de tudo que foi grande! Ó desejado, ó poeta de uma poesia que se furta e se expande à maneira de um lago de pez** e resíduos letais... És nosso fim natural e somos teu adubo, tua explicação e tua mais singela virtude... Pois carecia que um de nós nos recusasse para melhor servir-nos. Face a face te contemplamos, e é teu esse primeiro e úmido beijo em nossa boca de barro e de sarro. Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma. * "descorçoado": assim como "desacorçoado", é uma variante de uso popular da palavra "desacoroçoado", que significa "desanimado". ** "pez": piche Considere o tipo de relação estabelecida pela preposição "para" nos seguintes trechos do poema: I. "ó inapto para as cavalhadas e os trabalhos brutais". II. "Ó tal como quiséramos para tristeza nossa e consumação das eras". III. "para o fim de tudo que foi grande". IV. "para melhor servir-nos". A preposição "para" introduz uma oração com ideia de finalidade apenas em
- 2018· Questão 89· english
TEXTO PARA AS QUESTÕES 89 E 90 Algorithms are everywhere. They play the stockmarket, decide whether you can have a mortgage and may one day drive your car for you. They search the internet when commanded, stick carefully chosen advertisements into the sites you visit and decide what prices to show you in online shops. (…) But what exactly are algorithms, and what makes them so powerful? An algorithm is, essentially, a brainless way of doing clever things. It is a set of precise steps that need no great mental effort to follow but which, if obeyed exactly and mechanically, will lead to some desirable outcome. Long division and column addition are examples that everyone is familiar with — if you follow the procedure, you are guaranteed to get the right answer. So is the strategy, rediscovered thousands of times every year by schoolchildren bored with learning mathematical algorithms, for playing a perfect game of noughts and crosses. The brainlessness is key: each step should be as simple and as free from ambiguity as possible. Cooking recipes and driving directions are algorithms of a sort. But instructions like "stew the meat until tender" or "it's a few miles down the road" are too vague to follow without at least some interpretation. (…) The Economist, August 30, 2017 No texto, um exemplo associado ao fato de algoritmos estarem por toda parte é
- 2018· Questão 90· english
TEXTO PARA AS QUESTÕES 89 E 90 Algorithms are everywhere. They play the stockmarket, decide whether you can have a mortgage and may one day drive your car for you. They search the internet when commanded, stick carefully chosen advertisements into the sites you visit and decide what prices to show you in online shops. (…) But what exactly are algorithms, and what makes them so powerful? An algorithm is, essentially, a brainless way of doing clever things. It is a set of precise steps that need no great mental effort to follow but which, if obeyed exactly and mechanically, will lead to some desirable outcome. Long division and column addition are examples that everyone is familiar with — if you follow the procedure, you are guaranteed to get the right answer. So is the strategy, rediscovered thousands of times every year by schoolchildren bored with learning mathematical algorithms, for playing a perfect game of noughts and crosses. The brainlessness is key: each step should be as simple and as free from ambiguity as possible. Cooking recipes and driving directions are algorithms of a sort. But instructions like "stew the meat until tender" or "it's a few miles down the road" are too vague to follow without at least some interpretation. (…) The Economist, August 30, 2017 Segundo o texto, a execução de um algoritmo consiste em um processo que